quinta-feira, 28 de abril de 2011

Elifoot 98 - Atualizado 2011

O Mesa de Copa continua muito parado. Aproveitando o marasmo (principalmente pela vida corrida e pela impossibilidade de jogar FM - por isso o Elifoot tem voltado cada vez mais ao meu cotidiano), trago neste post nada mais nada menos que um patch atualizado na temporada 2011 da nossa querida e confortável (e muito veloz) versão de 98 do Elifoot.


Neste patch inicial há 62 equipes brasileiras, da Série A até a Série D. Além disso, ainda contamos com as grandes equipes européias (Manchester United, Chelsea, Arsenal, Barcelona, Real Madrid, Internazionale, Milan, Bayern, Lyon, Benfica e Porto), só pra dar uma variada e você não ficar preso apenas a jogar com equipes de um só país - enquanto os outros patches não ficam prontos.
A ressalva é que como o Elifoot tem a leizinha Bosman, fiquei um pouco sem saber o que fazer com a quantidade de estrangeiros que alguns clubes tinham (principalmente na Inter e Chelsea), então tive que 'nacionaliza-los' (alguns brasileiros viraram portugueses, africanos viraram franceses, e por aí vai).




Em breve virão outras atualizações, trazendo já a possibilidade de jogar campeonatos europeus!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

King Ferguson x Shrooney

Não é a primeira vez que a estrela de uma equipe se desentende com seu treinador, nem com Sir Alex Ferguson (lembramos facilmente dos casos de Beckham, van Nistelrooy ou Tevez). Também não era de se esperar que o treinador do Manchester United e o atacante Wayne Rooney tivessem uma eterna relação de bom entendimento e que o atleta fosse realmente se tornar um ídolo eterno do clube tão facilmente. Nenhum dos dois tem personalidade fácil de lidar e de certa forma se sentem um pouco 'donos do time'. A diferença é que Rooney está no United desde 2004 e Ferguson, desde 1986 (o que nos deixa numa situação fácil de perceber quem seria o verdadeiro 'dono do time'). Contrariado quanto a uma declaração de seu chefe de que ainda estaria lesionado, Rooney o desmentiu e ainda afirmou que gostaria de deixar o clube.


Em explicações de Ferguson, o treinador pretendia dar mais tempo para Rooney retornar de sua lesão (já que ainda apresentava sintomas quando ia a campo - e consequentemente não rendia) e poder pegar ritmo de jogo jogando pela Inglaterra ao invés de suportar a pesada carga de jogos dos clubes ingleses. O atleta reclamou que não está mais machucado e que deveria ser titular - como deveria ser em qualquer equipe. Treinadores de todo o mundo - principalmente de grandes clubes que seriam capazes de efetuar a contratação - comentaram a situação, mas nenhum deles quis alimentar a situação (escolhendo um lado específico, como foi o caso de Neymar e Dorival) e acreditam que o atleta se mantêm no clube, apostando que Ferguson nem a diretoria seriam loucos de perder um atacante como ele. Mesmo com essas opiniões de Ancelotti e Wenger (Chelsea e Arsenal) e ainda que Rooney deixe o United, creio que a possibilidade de continuar na Inglaterra seria muito pequena, ainda mais se o destino for o Manchester City (caso contrário, jogaria pela janela de vez a chance de se tornar um marco no clube). Este rival dos Red Devils, inclusive, tem plena noção da dificuldade que seria tirar Rooney do rival e usa o episódio Tevez como um desestabilizador para a situação, declarando abertamente que gostaria de contar com o jogador o quanto antes. Além deles, Mourinho também comentou o caso (já que o Real Madrid sempre está interessado em todos os atletas 'disponíveis' no mercado), mas sua opinião não diferiu muito dos treinadores ingleses.

A verdade é que Ferguson foi no Everton buscar Rooney, efetuou uma das mais importantes contratações da história do clube e o colocou como um dos principais atacantes do planeta. Não só o Manchester e seus colegas, mas principalmente Ferguson. Rooney tem enfrentado um bruto inferno astral desde a Copa do Mundo e é muito mais fácil adimitir que está em péssima forma por conta de uma lesão do que por qualquer outro motivo (ainda mais os escândalos extra-campo que tem se envolvido, mesmo que superlativizados pela tabloidíssima imprensa inglesa). Com o futebol que o atacante vem demonstrado essa temporada, tem valido mais a pena manter Javier Hernandez com Dimitar Berbatov no ataque do que insistir com Rooney, até que tome vergonha na cara e volte a apresentar o futebol de um dos melhores atacantes em atividade. Moral da história: Quando Ferguson assumiu o Manchester United, Rooney completava um ano de idade. Cabeça-dura ou não, Ferguson é unanimidade e na minha singela opinião, o maior treinador da atualidade. Shrek precisa se entender na fábula e perceber que existe um Rei para o Reino, mas que ainda não é ele.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Perspectiva - Adem Ljajic

O leste europeu tem sido uma figura representativa na revelação de jogadores no velho continente com a escassez de novos talentos nos grandes centros. A Sérvia, depois de tantas separações e perdas territoriais (e consequentemente atletas - casos antigos como Robert Prosinecki, Alen Boksic, Davor Suker e Robert Jarni na Copa de 90, todos croatas que disputaram o torneio pela Iugoslávia e em 98 pelo defendiam seu país já independente) continua colocando novos atletas com técnica apurada no mercado, demonstrando maturidade esportiva (apesar da liga nacional fraca) e independendo-se nesse aspecto de suas ex-repúblicas, que reduziram grosseiramente seu número de revelações.

(Os links são de vídeos de Ljajic jogando antes da maioridade)

Do Partizan Belgrado, atual tricampeão sérvio, saiu o meia Adem Ljajic, que teve certa responsabilidade pela atual boa fase do alvinegro (segunda força no futebol nacional, com 22 titulos nacionais contra 25 do Crvena Zvezda - ou Red Star). O garoto de 19 anos nasceu em Novi Pazar, na própria Sérvia, aos 15 anos assinou contrato com a equipe e já era convocado pelas seleções de base de seu país (disputou a Euro sub-17 2008). Quando mais jovem sua função era fazer a meia direita mas aos poucos começou a atuar do meio para o ataque, as vezes funcionando como 'winger'. Pouco antes de completar 17 anos, transferiu-se junto a Zoran Tosic ao Manchester United, mas não foi bem aproveitado e retornou ao seu país de origem. Aos 17, Ljajic estreou pelo time profissional do Partizan e, apesar de ter participado de jogos importantes (dois pela UCL e três pela Europa League), não impressionou muito e nem teve tanto tempo pra isso.

(Gols de Ljajic pelo Partizan Belgrado na temporada 2008/09)

Ljajic é aquele tipo de jogador 'liso'. Apesar de não apresentar fintas desconcertantes e dribles fugazes, ele tem excelente domínio de bola, a protege bem e tem uma potente arrancada, o que lhe é uma boa vantagem contra os marcadores (ainda mais jogando no campeonato sérvio). Além disso, possui também características de um meia clássico, como precisão em cobranças de bolas paradas, bons remates de fora da área e passes no contrapé da defesa. Trata-se de um jogador fisicamente rentável e de bastante inteligência prática, em alguns momentos chega a lembrar Kaká. Na última temporada (09/10), Ljajic disputou sua primeira metade pelo Partizan, participou de dez jogos pela liga sérvia e cinco pela Europa League e anotou seis gols. No início do ano (de 2010, metade da temporada) transferiu-se para a Fiorentina, onde jogou apenas nove partidas, entrando como suplente em todas.


(Gol de Ljajic pela Fiorentina contra o Tottenham, em amistoso da pré-temporada 2010/11)

Nesta temporada, apesar de a Fiorentina passar por momento difícil na Serie A (17º colocado, 5 pontos em 6 jogos - 1 a mais que a Udinese, lanterna da competição) e não estar disputando nenhum torneio continental, o atleta vem conquistando mais espaço na equipe italiana, inclusive tendo assumido o posto de cobrador oficial de penalties (em uma equipe com Gilardino, Mutu, Montolivo, Jovetic e Marchionni). Este ano, disputou quatro das seis partidas da Viola na temporada (sendo três como titular), já tendo assinalado dois gols e colocado seus marcadores pra correr bastante. A Fiorentina agora só joga no dia 17/10, contra a Sampdoria, fora de casa; e provavelmente Ljajic estará em campo. Se dermos sorte, nossa querida TV aberta nos agraciará com o 'pleito'.

Adem Ljajic, sérvio, 19 anos, Fiorentina. Olho nele!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Seleção alemã daria calafrios a Hitler

Neuer, Castro, Boateng, Tasci, Aogo, Pezzoni, Khedira, Marin, Ozil, Sukuta-Pasu e Podolski. Se não fosse por alguns destes jogadores, bem mais conhecidos, não se desconfiaria o que estes onze atletas têm em comum. Hitler teria calafrios ao ouvir o nome de algum deles sendo chamado para representar a seleção da Alemanha. A questão é que dentre os atletas citados, o único alemão mesmo é o goleiro Manuel Neuer, do Schalke. Todos os outros (aptos para jogar pela seleção alemã, alguns tendo disputado a Copa do Mundo deste ano, inclusive Neuer) têm menos de 25 anos e ascendência de outro país ou sequer nasceram na Alemanha.
(Hitler)

A posição de goleiro é a que menos tem essa ocorrência. Dos jovens do país, Rene Adler (Leverkusen) e Manuel Neuer (Schalke 04) saem na frente por serem os mais velhos e já terem sido titulares da seleção – 25 e 24 anos. Os mais jovens a aspirarem a camisa 1 alemã são Sven Ulreich (Stuttgart) e Ralf Fährmann (Frankfurt), ambos de 22 anos. Da nova geração, nenhum teria sido enviado a campos de concentração.

As laterais, por outro lado, foram completamente invadidas por estrangeiros. Na direita, temos Gonzalo Castro (ascendência espanhola – 23 anos) e Daniel Schwaab (22), do Leverkusen, e o russo Andreas Beck (23), do Hoffenheim. Na esquerda, o principal destaque é o polonês Sebastian Boenisch (23), do Werder Bremen, apesar de Dennis Aogo (ascendência nigeriana – 21 anos), do Hamburg, ter sido reserva na Copa do Mundo 2010. Buscando até entre os mais jovens, um dos destaques da posição é o russo Konstantin Rausch, de 20 anos, do Hannover. Nesta posição já teríamos dois comunistas, um judeu e um negro.

(Podolski e Klose, o ataque 'polemão')

Apesar de haver mais alemães entre os zagueiros, os de maior destaque seriam eliminados de primeira durante o regime nazista. Jerome Boateng (22), do Manchester City [ENG], é filho de ganeses (seu irmão defendeu Gana na Copa) e Serdar Tasci (24), do Stuttgart, tem ascendência turca. Um excelente alvo, visto que seus concorrentes seriam os alemães Matt Hummels (21), do Dortmund, Holger Badstuber (21), do Bayern, Benedikt Howedes (22), do Schalke 04 e Stefan Reinartz (21), do Leverkusen.

No meio-campo tivemos dois excelentes exemplos na Copa do Mundo, recém-contratados pelo Real Madrid. Sami Khedira (23 anos, ascendência tunisiana) dominou o meio-campo defensivo alemão e deu suporte para Schweinsteiger sair e jogar com Mesut Özil (21 anos, ascendência turca), o principal articulador da equipe. Pelos lados ainda temos Marko Marin (21 anos, bósnio), do Werder Bremen e os alemães do Bayern Thomas Muller (21) e Toni Kroos (20).

No ataque já chegamos praticamente a mais uma geração de estrangeiros. Para começar, o maior artilheiro em Copas da seleção alemã é polonês e não se vê desde a Copa do 98, com Oliver Bierhoff, um grande atacante alemão, mesmo. Enquanto essa primeira geração de estrangeiros se despede do ataque alemão (o polonês Miroslav Klose, o suíço Oliver Neuville, o nigeriano Gerald Asamoah, os brasileiros Kevin Kuranyi e Cacau), percebemos que a renovaçação já é a segunda geração, com Lukas Podolski (25 anos, polonês), do Colônia, e Mario Gómez (25, filho de espanhóis), do Bayern. Além deles, um ataque que tem sido constante nas categorias de base da seleção (apesar de não impressionar muito) é Richard Sukuta-Pasu (20), filho de congoleses, e Deniz Naki (21), de ascendência turca, ambos atletas do St. Pauli, recém-promovido a Bundesliga.

(Khedira, Boateng e Ozil)

Imaginar que poderíamos não ter tido Boateng, Khedira, Ozil, Podolski e Klose na Copa do Mundo (pelo menos não pela Alemanha) por conta de uma ‘verdade dominante’ chega a ser absurdo - para nós, no nosso tempo. Percebemos que os alemães continuaram a saber se defender, renovando eficientemente seus goleiros e ainda revelando um saudável número de bons zagueiros. Daí pra frente só se destacam Muller e Kroos, dentre inúmeros estrangeiros - e se a seleção nacional fosse depender somente dos alemães, teria uma equipe ofensivamente medíocre. Mesmo que a Alemanha continue não sendo mais só dos alemães, aceita-la composta por turcos, ganeses, congoleses e poloneses é propor uma nova miscigenação de culturas no futebol. A fórmula funcionou para Holanda e França formarem grandes equipes em um ano, um torneio, mas não para ganharem títulos de uma época. Com a tradição da seleção alemã nas costas, seria esse o verdadeiro início do futebol ‘brasileiro’ no Primeiro Mundo?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O fim da 'Era Laranja' de Madrid

O mercado de transferências europeu deste ano marcou o fim de mais uma 'era' do Real Madrid. De 2006 até 2010, o Real chegou a ter seis holandeses no elenco - mais da metade da equipe, visto que todos os atletas eram constantemente convocados para sua seleção - mas não conseguiu repetir o sucesso dos compatriotas que jogaram no arqui-rival Barcelona (em 2003 o Barça chegou a ter também seis holandeses - Reiziger, van Bronckhorst, Davids, Cocu, Kluivert e Overmars - sendo que Frank de Boer, Zenden haviam jogado no clube a pouco tempo). Nesta janela de verão europeu, Rafael van der Vaart (Tottenham) e Royston Drenthe (Hercules) foram os últimos a deixar o Santiago Bernabéu. Chegaram o zagueiro Ricardo Carvalho (Chelsea), o volante Sami Khedira (Stuttgart), os meias espanhóis Pedro León (Getafe), Sergio Canales (Racing Santander), além dos jovens destaques Angel di Maria (Benfica) e Mesut Ozil (Werder Bremen). Temos que admitir que foram excelentes contratações, que visaram dar experiência a defesa e gás para o meio-campo galáctico madridista, que já contava com Kaká, Xabi Alonso e Lass Diarra - mas que não teve muita perna na última temporada com as seguidas lesões do meia brasileiro. O ataque formado por Cristiano Ronaldo, Benzema e Higuaín coloca qualquer defesa pra tremer. De fato, Mourinho montou muito bem a equipe para este ano, mas não estamos aqui pra falar do que Mourinho vai fazer ou seus novos comandados. Mas de alguns atletas que deixaram a equipe.

(Ruud van Nistelrooy)

Sob o comando de Fabio Capello, em 2006, o Real Madrid contratou o primeiro holandês deste período, Ruud van Nistelrooy, do Manchester United. Neste contexto, a equipe estava sem o seu grande finalizador, Ronaldo, que se contundia com freqüência e posteriormente se transferiu para a Milan. A equipe ainda tinha Raul, Robinho e Cassano para completar a posição, e contratara também o jovem Gonzalo Higuaín. Esse foi um período pós-galáctico em que a equipe começou a investir em jogadores jovens de outros países (como Fernando Gago e os próprios Robinho e Higuaín) e acabou esquecendo de alguns valores espanhóis (tendo disperdiçado neste período jogadores como Arbeloa, Mata, Negredo e Borja Valero, que foram estourar em outros clubes). Com a saída de Capello no final desta temporada e a chegada de Bernd Schuster, ex-treinador do Getade, o Real se tornou mais laranja ainda. Nesta temporada, o Real adquiriu o lateral-esquerdo Royston Drenthe, do Feyenoord, e os meias Wesley Sneijder, do Ajax, e Arjen Robben, do Chelsea, enquanto os galácticos Roberto Carlos, Beckham e Emerson se despediam da Espanha. Neste ano o Real foi bicampeão espanhol com sobras, dando crédito a equipe e ao treinador para o ano seguinte, quando chegaram o meia Rafael van der Vaart, do Hamburg, e o atacante Klaas-Jan Huntelaar, do Ajax.

(Wesley Sneijder)

Porém, 2009/10 foi mais complicado para o Real Madrid com a reascensão barcelonista, deixando os merengues com o vice-campeonato e dois treinadores a mais na história do clube - durante a temporada Schuster foi substituído por Juande Ramos, que não resistiu no fim da temporada. Para seu lugar, chegou o chileno Manuel Pellegrini, que ficou encarregado de organizar a nova 'era galáctica' (iniciando a decadência da 'era laranja') do Real Madrid, que traria ao clube nomes como Cristiano Ronaldo, Kaká, Karim Benzema, Xabi Alonso e Raul Albiol. Neste ano começou a debandada dos holandeses, que tinham o aval do treinador Schuster como certeza de permanência. Assim, seguiram seus rumos os meias Wesley Sneijder (Inter-ITA), Arjen Robben (Bayern München-GER), e os atacantes Huntelaar (Milan-ITA) e van Nistelrooy (Hamburg-GER).

(Arjen Robben)

O Real Madrid, pelo menos para dois destes atletas, foi um excelente estágio. Sneijder e Robben comandaram suas equipes até a final da UEFA Champions League da temporada 2009/10, que acabou ficando com os italianos maestrados pelo pequeno gênio. Enquanto o Real Madrid sofria com as lesões de Kaká e Cristiano Ronaldo, Robben marcou 16 gols no campeonato alemão, 4 na UCL e assistiu Sneijder organizar a Inter e levantar a taça. Não só bastasse, o Real Madrid foi eliminado na Liga dos Campeões nas oitavas-de-final e ficou com o bi-vice-campeonato espanhol - enquanto o Bayern e Inter foram campeões nacionais. Huntelaar, na Milan, chegou ao terceiro lugar no campeonato italiano e essa temporada seguiu para o Schalke 04, da Alemanha. Van Nistelrooy, próximo de encerrar a carreira no Hamburg, chegou as semi-finais da Europa League, eliminado por muito pouco pelo Fulham, da Inglaterra, além de um desagradável 7º lugar na Bundesliga. Nesta temporada, os últimos holandeses deixaram o Real Madrid, van der Vaart rumo ao Tottenham, da Inglaterra, prometendo uma grande dupla de meio-campo com o croata Luka Modric para a disputa da UCL (no mesmo grupo que Inter e Werder Bremen), e Drenthe, que fará companhia à David Trezeguet e Nelson Valdez, no Hercules - uma das equipes pequenas que prometem aprontar neste campeonato espanhol. Sabemos que dificilmente os últimos moicanos superarão seu ex-clube como fizeram os gênios Sneijder e Robben, mas esta temporada será uma boa prova para esses holandeses se seu 'estágio' no Real Madrid ajudou-os a amadurecer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Perspectiva - Sotirios Ninis

O Bolas na Área inaugura com esse post outra editoria do blog. A "Perspectiva" tem o objetivo de apresentar jovens talentos que estão cavando seus lugares nas equipes principais européias. Como no Brasil não temos a cultura de procurar saber das revelações européias, a "Perspectiva" pretende servir como um grande olheiro para a molecada do Velho Continente.


Nada como inaugurar uma sessão dessa com um talento raro de se ver assim! Sotirios Ninis, 19 anos, nasceu em Himarë, na Albânia, e se naturalizou grego. O garoto, base desde sempre do Panathinaikos, já chegou a atuar de lateral, mas sua principal função é de meia de ligação, tanto pelo meio quanto pela direita. Logo em sua primeira temporada no time principal, o atleta disputou 22 partidas pela Ethniki Katigoria e 4 pela UCL aos 18 anos.



(Primeiro gol de Ninis, contra o Panionios, em 06/07. Na época, o jogador tinha 16 anos)

Atleta de excelente toque de bola, tem como características principais os cruzamentos e belos passes. Mas Ninis não é limitado ao ponto de só fazer isso. O titular do Panathinaikos e da Seleção Sub-21 da Grécia também tem boas fintas e finaliza muito bem. Digamos que tem o potencial para ser um meia completo, ainda mais pela facilidade que tem de colocar a bola onde quer.




(Todos os vídeos em que Ninis aparece com a camisa 37 ocorreram na temporada 06/07. Na temporada seguinte, ele assumiu a 7)

Nesta temporada, Ninis já disputou 11 partidas pela Liga Nacional e 4 pela Europa League. O camisa 7 tem ajudado bastante o Panathinaikos até agora; na disputa pela liderança da Alfa com o Olympiacos (30 pontos dos alvirrubros contra 29 dos alviverdes) e com a vaga na segunda fase da Europa League praticamente garantida (no Grupo F, Galatasaray [TUR] tem 10 pontos; Panathinaikos, 9; Dinamo Bucaresti [ROM], 3; e Sturm Graz [AUT], 1; considerando que faltam apenas duas rodadas para o final dessa etapa).
Nota: Inclusive, Galatasaray e Panathinaikos se enfrentam hoje, na Turquia, sendo que os gregos precisam apenas de um empate, já que os turcos já estão classificados / e pra quem tiver a oportunidade de assistir, poderá saborear alguns momentos de Ninis - 18h, hoje, ESPN Brasil).

Sotirios Ninis, grego, 19 anos, Panathinaikos. Olho nele!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Seguura Galvão!

"O Milner, ele é canhoto, ele bateu com o pé direito direto pro gol, mostrou habilidade... não era a perna boa, pra sorte do Brasil." Depois de assistir a transmissão de Brasil x Inglaterra pela Globo no último sábado, essa frase ficou ecoando na minha cabeça por quase todo o domingo e não resisti a escrever algumas considerações por aqui.
Primeiro lugar: Na segunda metade do segundo tempo, tivemos a entrada do atacante Peter Crouch no lugar de Shaun Wright-Phillips, na Inglaterra. Para quem acompanhou a substituição pela telinha da Globo, o atacante teve uma pequena mudança em seu nome no letreiro para CrouNch. Segundo lugar: Pouco tempo depois, Dunga tirou Nilmar (que, aliás, deixou Brown sem rumo) e colocou Carlos Eduardo para estrear com a camisa amarelinha. Porém, o letreiro anunciou a entrada de Josué. Para surpresa dos telespectadores, por volta dos 35 minutos do segundo tempo, parecia que Dunga estava fechando bastante a equipe, quando na verdade estava apenas dando a primeira chance ao ex-gremista. Terceiro lugar: Este ponto creio que seja o mais importante. Quando alguém recebe a tarefa de narrar ou comentar um jogo, pressupõe-se que deva ter conhecimento suficiente sobre os jogadores em campo para não cometer gafes. Assim sendo, pouco tempo depois do penalty perdido pelo Brasil (e antes da entrada de Crouch), Wright-Phillips cruzou para Milner (que entrava pelo lado esquerdo do ataque inglês), que finalizou por cima do gol de Júlio César. "O Milner, ele é canhoto, ele bateu com o pé direito direto pro gol, mostrou habilidade... não era a perna boa, pra sorte do Brasil." Não consegui me conter. Para quem duvidar, seguem neste post os melhores momentos narrador por Galvão. Assim, convido a todos para assistir também ao penalty que o meia desperdiçou na semi-final da Euro sub-21 deste ano. (O jogo terminou em 3x3 entre as equipes, e nos penalties os ingleses venceram por 5x4.)
Como sabemos, ser canhoto ou destro é uma questão genética, ou seja, não podemos mudar isso durante nossa vida, como mudamos cor da pele ou do cabelo. Independente disso, sempre há um "original". No máximo, nos adaptamos a utilizar o membro "fraco", como o atleta James Milner faz. Para quem acompanhou o jogo, deve ter visto o meia finalizando e também cruzando com a perna esquerda, mas o camisa 8 do Aston Villa, como todo destro, cobra seus penalties com a perna direita. Assim, ao contrário do que o Galvão disse, o Milner errou, pra sorte do Brasil. Já que era a perna boa, sim. Disponibilizo também um gol do atleta quando ainda jogava pelo Leeds United, seu primeiro clube. O jogo ocorreu pela 21ª rodada do Campeonato Inglês 2002/03 e Milner faria 17 anos em pouco mais de uma semana. O meia fazia sua temporada de estréia e era o dono da camisa número 38, tendo entrado em campo para substituir uma das estrelas da equipe na época, Harry Kewell. Como sabemos, um atleta de 16 anos, mesmo tendo condições de utilizar as duas pernas, dificilmente arriscaria cometer erros bobos. Como vemos, Milner finaliza de fora da área com a perna direita.
Destro ou canhoto, pode parecer um detalhe. Mas para o entendimento do jogo, é um detalhe fundamental.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uruguai: a esquina entre Brasil e Argentina

Antes de mais nada, quero lembrar a todos que este texto nada tem a ver com Futebol Europeu. Ele é uma resenha sobre o duelo Brasil x Argentina que eu fiz para a faculdade, que eu decidi colocar aqui! A idéia era resenhar um texto que fala sobre a atuação da mídia no acirramento da rivalidade entre os dois países. Então, aproveitem! =]

"A rivalidade existente entre o Brasil e a Argentina é uma das mais antigas no que tratamos de mundo futebolístico. Juntas, as duas seleções têm onze títulos mundiais (sete Copas do Mundo e quatro Copas das Confederações) e vinte e duas Copas América. Além disso, seus clubes já estão acostumados a figurar nas fases finais dos torneios do continente. Como coadjuvante desse confronto encontramos o Uruguai, detentor de duas Copas do Mundo e catorze Copas América. Mesmo número de títulos dos argentinos.

Quando a primeira Copa do Mundo foi disputada, em 1930, sediada e vencida pelo Uruguai, já haviam sido disputadas doze Copas América. Sendo metade delas vencidas pelos uruguaios, enquanto os argentinos tinham levantado quatro e os brasileiros, somente duas. Nesta época, os brasileiros é que não passavam de meros coadjuvantes de uma rivalidade de dois países que dividiam até as mesmas cores na bandeira, além da língua e boa parte da cultura. Até 1950, porém, foi a vez dos argentinos ficarem com o posto de principal equipe do continente, mesmo sem título mundial (até porque não houve Copa do Mundo na década de 40). Dentre nove Copas América disputadas nas duas décadas, os argentinos venceram cinco e comemoraram o nono título de sua história, ultrapassando os uruguaios que venceram apenas duas edições e contabilizavam apenas oito. Brasil e Peru venceram o torneio uma vez no período.

Em 1950, os brasileiros tinham a chance de aparecer bem no cenário internacional, já que tinham vencido a Copa América de 1949 e ainda organizavam a Copa, enquanto os argentinos não participariam da competição por briga com a CBD. Sem os “hermanos”, o Uruguai acabou roubando a cena e retomou o posto de principal seleção sul-americana, conquistando o bicampeonato mundial. Porém, a partir de então, o Uruguai passou a se tornar o coadjuvante da história, conseguindo se firmar apenas em algumas competições dentro do continente. Até 1970, os brasileiros levantaram três Copas do Mundo, mas esqueceram da Copa América, enquanto argentinos e uruguaios comemoraram três vezes cada. Bolivianos e paraguaios também, mas apenas uma vez. Deste período em diante, o Uruguai se firmou como terceira força do continente. Desta forma, creio que seria injusto analisar a história do confronto entre argentinos e brasileiros sem mencionar os uruguaios.

Analisando a contabilidade de títulos, os argentinos por muito tempo estiveram atrás dos uruguaios e os brasileiros em alguns anos assumiram a ponta desta tabela. Assim, entre os anos de 1970 e 1990, os argentinos conquistaram duas Copas do Mundo. Os uruguaios levaram duas Copas América e o Brasil, uma. Durante esse período, a Argentina novamente toma a frente como principal força do continente, mas sem estar numericamente na frente no que tratamos de títulos.

O mais curioso que o texto apresenta é que, com a entrada dos anos 90 e a nova arrancada do futebol brasileiro, a rivalidade entre as duas principais seleções do continente se acirrou ainda mais. O que é bem verdade é que a partir de então o Uruguai só conseguiu vencer uma vez a Copa América, consolidando de vez seu lugar entre as equipes médias do continente e tendo que assistir a ascensão de México, Paraguai e Colômbia. A Argentina, mais uma vez consolidada como segunda força sul-americana, levantou apenas duas Copas América e uma Copa das Confederações, entre 91 e 93. Assumindo de vez a soberania numérica de títulos no continente, o Brasil levantou a Copa do Mundo mais duas vezes, além de conquistar quatro vezes a Copa América e três a Copa das Confederações.

Como retrato da grande rivalidade que se formava de vez entre os dois países temos a mídia, que começa a expor uma idéia anti-rival. Além do papel fundamental da imprensa em publicar esse sentimento, ainda temos a questão de que as duas seleções começaram a se defrontar constantemente em decisões. Mas, além da mídia como atuante, não podemos deixar de considerar que nesse período os argentinos levantaram a Copa do Mundo sub-20 cinco vezes, enquanto o Brasil apenas duas. Desta forma, apesar de a esperança de que o novo Diego Maradona estivesse para surgir fosse muito grande, a cada geração ela se mostrava falha e gerou mais frustrações a uma torcida que via sua seleção principal perder a cada ano mais um título para os brasileiros.

Quando levamos em conta a questão cultural de colônia e colonizador, que colocavam os argentinos ao lado dos brasileiros quando o confronto era contra europeus, percebemos que ela aos poucos deixou de ser tão relevante. Pelo menos ao se tratar de Brasil. Nesse período, os brasileiros deram aos argentinos três vice-campeonatos (duas Copas América e uma Copa das Confederações, entre 2004 e 2007), em momentos em que a equipe se mostrava superior a brasileira (inclusive na Copa América 2004, em que os brasileiros jogavam com o time reserva). Ainda mais por se tratar da geração argentina bicampeã mundial sub-20 (em 95 e 97).

Outro fator que não podemos esquecer no desenvolvimento dessa rivalidade é a “implicância”. A imprensa brasileira, principalmente perante os resultados conquistados pelo Brasil sobre a Argentina, desempenhou um papel avesso às regras da “boa vizinhança”. O enfraquecimento da imagem social de Maradona e as constantes afirmações sobre “ser melhor do que Pelé” reforçaram mais ainda essa implicância vinda por parte dos brasileiros. No início da década de 90, quando as provocações dos meios de comunicação não eram tão comuns, existia um respeito bem maior em relação à seleção da Argentina, que vinha de boas campanhas (título da Copa de 1986 e eliminar o Brasil nas oitavas-de-final da Copa de 1990, na Itália) e já se encostava ao placar de títulos com os brasileiros. Assim, existia um forte receio de “esquentar o clássico” com provocações midiáticas, já que a Argentina passava por uma situação melhor. A partir do momento em que o Brasil voltou a ter domínio do confronto, a mídia voltou a ter confiança na Seleção para provocar o rival platino.

Nos dois últimos confrontos, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, os brasileiros continuaram levando a melhor. No primeiro jogo (junho de 2008), porém, a mídia brasileira focou-se bastante na situação complicada em que Dunga se encontrava no comando da seleção brasileira, e o empate por 0x0 em solo brasileiro acabou não gerando muita polêmica. Muito pelo contrário, a mídia classificava a Argentina como favorita e a rivalidade sequer chegou a se tornar uma grande pauta. Porém, no segundo confronto (setembro de 2009), a imprensa dos dois países certamente apoiou o acirramento na rivalidade das equipes, que contava com temperos como Maradona no comando dos argentinos e a difícil situação dos “hermanos” na classificação das Eliminatórias. A vitória por 3x1 dos brasileiros em solo argentino, além de garantir o Brasil na Copa de 2010, acabou consolidando uma crise que já estava por vir na seleção vizinha e quase complicou sua classificação para o mundial.

Concluímos assim que temos a imprensa como um grande alicerce da rivalidade entre argentinos e brasileiros, mas não como principal agente. Não podemos deixar de ignorar a questão de que, com o avanço das tecnologias de informação, a mídia tornou-se muito mais presente na vida do torcedor e muito mais influente. O fato de os argentinos terem “percebido” que os brasileiros torciam contra a sua seleção pode não ter sido a principal razão pela qual a mídia argentina passou a retrucar as provocações brasileiras. A questão é que, com o Brasil consolidando-se de vez como principal força do continente (e também do mundo), a Seleção Canarinho passou a ser a equipe a ser batida na América. Assim, ao invés de torcer contra o Uruguai, agora é a vez de torcer contra o Brasil."

Referências Bibliográficas:

- HELAL, Ronaldo e LOVISOLO, Hugo. “Jornalismo e futebol: argentinos e brasileiros ou do ‘odiar amar’ e do ‘odiar amar’”. In Marques, José Carlos (orgs.) Comunicação e Esporte: diálogos possíveis. São Paulo, Intercom, 2007
- http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1293683-9825,00-BRASIL+X+ARGENTINA+ANOS+DE+RIVALIDADE+E+POLEMICAS.html
- www.ogol.com.br (Pesquisa de Dados)